quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Perrengue de Viagem: Quem já passou por um?


Quase sempre, em viagens não se sabe o que vai acontecer. Já passamos por muitos perrengues de viagem, mas igual a esse era impossível imaginar.
Ao acordarmos percebemos que o tempo estava mais convidando a ficar curtindo uma caminha quentinha do que enfrentar o friozinho e a chuva que insistia em cair. Tomamos nosso café da manhã bem tranquilo, tínhamos apenas alguns quilômetros para chegar ao nosso próximo destino.

A expectativa era grande, pois ao fazer o roteiro escolhi entre outras, passar pela estrada mais sinuosa possível daquela região, isso por gostar de emoções. Mas quem imaginaria que as emoções seriam as mais apavorantes de nossas vidas.
Saímos de Corina D’ Ampezzo, subindo pelas Dolomitas, deixávamos Cortina para trás, a chuva fininha e fria nos acompanhava pelo trajeto, talvez querendo nos avisar do que estava por acontecer. Um friozinho surgiu e começamos a ter dúvidas se realmente deveríamos ter ido por aquela estrada.

Aquela chuvinha num instante começou a ficar diferente, aí o Agassis falou “nossa eu acho que é neve”. Eu dei uma risadinha meio sem graça achando que ele estava brincando, “imagina... que neve que nada, não é época de neve". Mas o tempo está tão diferente que poderia ser. E não é que era, ela como que acanhada começou a ficar mais densa e o asfalto parecia uma pista de ski.


Chegamos a uma rotatória que mais parecia uma roleta russa. Continuaríamos o jogo, que fazer? Decidimos, então, parar em um refúgio e pedir informações. Ficou bem claro que não deveríamos seguir por aquela estrada, e por segurança optamos por outra.


 Só com algumas mochilas, deixamos o restante no carro.
Nosso pequeno mascote dessa viagem, compramos no refugio.

Eu filmava tudo, estava feliz, e falava “Oba neve!” A alegria era tão grande que só acabou quando tivemos que parar, porque dois carros não conseguiam seguir em frente. O pisca de alerta dos carros nos avisavam que estavam com problemas. Naquele momento tudo parou. Parecia que a neve tinha congelado nossos cérebros. Fizemos perguntas só com o olhar e aí eu falei: “E adesso che facciamo”?


Resolvemos descer e perguntar. Como perguntar, como saber o que estava acontecendo se eles só falavam em alemão? Mas pelos gestos pudemos entender que, a neve era muita e que seria perigoso continuar.
Um ônibus surgiu a tanta confusão. Ele fazia a rota Falzarego a Colfosco, que era o nosso destino.

Abandonamos nosso carro na estrada. Pegamos três ônibus para chegar. 

O carro dos alemães


Em uma parada passamos muito frio, o vento gelado nos castigava sem dó. Do outro lado da rua havia uma cafeteria, quem dera poder atravessar e tomar um cafezinho ou um chocolate quentinho. Nem pensar..., pois o próximo ônibus chegaria e o perderíamos.


Chegamos a Colfosco, quando descemos do ônibus percebemos que o hotel ficava no alto e alguns metros dali, mas era impossível chegar subir a pé com tanta neve. Telefonamos para o hotel e vieram nos buscar.


Os proprietários ao saberem o perrengue que passamos providenciaram um delicioso lanche, com café e chocolate quentinho, que tanto desejávamos.


O calor da calefação parecia querer aquecer todos os nossos momentos tensos.

Olhando pela janela eu observava com outros olhos a paisagem com toda aquela neve. Como era maravilhosa e encantadora!


Alguém nos mostrou fotos, tiradas no dia anterior, era uma paisagem de uma Colfosco com um sol radiante, florida e bela! 



Bem diferente do que estávamos vendo naquele momento, mas ela continuava linda com toda aquela neve, os pinheiros ficaram enfeitados, parecia que o Natal tinha chegado sem avisar, lembrava uma cidade natalina cheia de encantos e magia.

Essa viagem foi de Cortina D'Ampezzo à Colfosco. Não havia previsão de neve para essa época, até os moradores foram surpreendidos com esse acontecimento. Estávamos com um carro que não era próprio para viajar na neve. Imagina só a nossa "paura", em uma estrada cheia de neve!! Aconteceu tudo isso num lugarzinho chamado Falzarego, estávamos à 35 km do nosso destino. Nunca iremos esquecer essa nossa experiência, foi complicado e bem tenso, mas hoje lembramos como uma aventura inesquecível, que ficara arquivada em nossas lembranças. 

Vai viajar de carro e vai pegar neve, preste atenção em nossa dicas:
- A primeira preocupação é fazer um seguro super completo pela locadora. Os acidentes poderão acontecer, principalmente viajando com neve.
- O pneu é um item fundamental na segurança do veículo. É um idem que merece muita atenção na hora de ser escolhido, pois ele é responsável por vária funções do carro.
- Escolha um carro com tração nas 4 rodas (4x4)
- Procurar uma locadora que tenham pneus de inverno. Devem conter letras M e S (mud e snow ou lama e neve)tem mais aderência, permitindo melhor dirigibilidade durante nevascas e pistas com gelo.
- Com freio ABS.
- É obrigatório o uso de correntes (cadenas em italiano), deve-se instalar em pelo menos uma roda de tração de cada lado do veículo ou utilizar  pneus especiais, de contato ou com cravos.
- Leve também raspador de gelo. Ele serve para mover a neve do carro e dos vidros.
- Use roupas confortáveis quando for dirigir.
- Dirigir sempre devagar mantendo  distância do carro da frente.
- Faróis e lanternas sempre ligados.
- Evite freadas bruscas
- Se estiver nevando muito estacione o carro em um lugar seguro.
- Não pare no acostamento.
- Se a situação se complicar é melhor parar e não se arriscar. A sua segurança é o mais importante.
- Veja também o combustível que deve usar, o diesel por exemplo vira uma gelatina com temperaturas por volta de -5C, e abaixo fica quase sólido. É impossível usar diesel normal em lugares muito frios. É aconselhável usar o próprio de inverno.



Uma dica super importante que quase ninguém sabe. 
Quando a neve derrete vira água e a temperatura estando baixa como -1C acaba congelando e o asfalto vira um espelho fazendo o carro deslizar! Por isso cuide com curvas e freadas bruscas.

Fomos buscar o carro no dia seguinte 
Quando estávamos tomando café da manhã, conversando como os proprietários do hotel perguntamos como faríamos para buscar o nosso carro, foi quando ao passar por uma mesa escutei alguém me chamar e perguntar se eramos brasileiros, era a Erica uma brasileira, muito simpática, tinha ouvido a gente comentar sobre o nosso acontecimento do dia anterior e perguntou se queríamos ajuda para buscar o carro. Combinamos então que Erica e seu marido Thomas, nos levariam até local.
 Os limpa-neves já tinham retirado a neve da estrada. Assim ficava bem mais fácil, não acham?
Assim encontramos nosso carro, no mesmo lugar que tínhamos deixado, tudo tranquilo. A neve de cima do carro já tinha derretido um pouco.
Quando o deixamos na estrada telefonamos para o seguro, informando o ocorrido, porque se alguma coisa acontecesse eles já estariam avisados.

 Thomas nos ajudou a tirar a neve, tivemos que pisotear para desmanchar um pouco.


Será que vai funcionar depois de ter ficado no meio da neve com temperaturas tão baixas?
Nesse dia ainda não sabíamos do detalhe de que se for carro a diesel comum ele vira gelatina.
Depois de pegar o carro fomos conhecer outros lugares com Erica e Thomas.
Sempre há um final feliz, ganhamos novos amigos, Erica e Thomas, pessoas queridas e especiais.


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